O funcionamento das bombas de irrigação, das ordenhadeiras e dos equipamentos de refrigeração faz da energia elétrica um componente importante das despesas nas propriedades rurais. Na Zona da Mata de Rondônia, onde a produção de café e a pecuária demandam investimentos em tecnologia, a geração solar foi apresentada como uma alternativa para diminuir esse peso no orçamento.
O tema esteve no centro do RuralCast, do Grupo Amazun, em parceria com a Emater, no canal Olá Rondônia, no YouTube. O programa recebeu o engenheiro agrônomo e extensionista rural Fernando Matos, em conversa conduzida por Paulo Henrique Custódio, biólogo e gerente regional da Emater na Zona da Mata.
“Hoje o maior gargalo na agricultura é o custo com irrigação”, afirmou Fernando, ao destacar a demanda energética das lavouras de café e dos sistemas de pastagem irrigada ligados à pecuária leiteira.
Na avaliação do convidado, a possibilidade de produzir parte da energia utilizada na propriedade amplia as alternativas de gestão dos custos. Essa análise, entretanto, precisa considerar o perfil de consumo, os equipamentos existentes e a estrutura necessária para atender cada produtor.
Da lavoura à residência
Durante a entrevista, os participantes destacaram que o aproveitamento da energia solar pode envolver diferentes atividades dentro da mesma propriedade. Além da irrigação, foram mencionados o bombeamento de água, a ordenha, o resfriamento do leite e o uso de geladeiras e freezers.
A conversa também mostrou que as necessidades produtivas e domésticas devem ser consideradas em conjunto. Um projeto pensado apenas para o consumo atual pode precisar de revisão quando o produtor amplia a lavoura, instala novos equipamentos ou aumenta a demanda da residência.
Por outro lado, Fernando chamou atenção para o risco de investir em uma estrutura maior do que a necessária, sem uma previsão consistente de aproveitamento da geração. O dimensionamento, portanto, foi apresentado como uma etapa decisiva para aproximar o investimento da realidade da família.
Telhado ou instalação no solo
Outro ponto abordado foi a escolha do local dos painéis. Segundo Fernando, podem ser aproveitados telhados, estruturas de barracões e espaços disponíveis no terreno, conforme as condições da propriedade.
O extensionista explicou que a instalação no solo pode facilitar o acesso para limpeza e manutenção. Entretanto, essa alternativa exige estrutura própria, fator que deve entrar na comparação dos orçamentos.
A decisão envolve, assim, mais do que identificar uma área com incidência solar: é necessário avaliar o custo da montagem, a facilidade de acesso e a segurança das intervenções futuras.
A irrigação exige uma análise completa
A relação entre geração solar e horário de irrigação também esteve em discussão. Embora o aproveitamento da energia produzida durante o dia tenha sido apontado como um aspecto relevante, Paulo Henrique ressaltou que o manejo da água precisa acompanhar as necessidades da cultura.
O apresentador lembrou que as condições ambientais, a evapotranspiração e o funcionamento dos setores de irrigação interferem nessa escolha. A economia de energia deve ser analisada junto da eficiência do sistema e das exigências da lavoura.
Economia que chega à qualidade de vida
Na parte final do episódio, a discussão ultrapassou os custos da produção. Paulo Henrique relatou observar, nas visitas às propriedades, famílias que passaram a utilizar mais equipamentos de refrigeração e climatização após a instalação de sistemas solares.
O apresentador associou essas mudanças ao conforto e às condições de permanência no campo. Fernando resumiu essa dimensão do tema em uma frase: “Eu não vendo energia solar, eu vendo qualidade de vida”.
O episódio reforçou que a tecnologia pode contribuir para a atividade rural quando integra um planejamento que considera produção, orçamento e necessidades familiares. O benefício esperado depende de um projeto adequado e de uma avaliação individual de cada propriedade.
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