A taxa de juros elevada consolidou-se como o principal entrave ao crescimento das pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil. De acordo com a Sondagem Omie das PMEs referente ao segundo semestre de 2026, 59% dos empresários apontam o custo do crédito como a maior barreira para a expansão de seus negócios, um aumento significativo em comparação aos 49% registrados no primeiro semestre do mesmo ano.
O cenário econômico é acompanhado por um sentimento de cautela entre os gestores. Apenas 14% dos entrevistados projetam melhorias para os próximos seis meses, enquanto 54% esperam impactos negativos. Além dos juros, os custos com mão de obra foram citados por 44% dos participantes como um desafio, e a demanda fraca do mercado passou a preocupar 31% dos empresários, ante 26% no levantamento anterior. Como reflexo desse ambiente, a intenção de contratação de novos funcionários recuou de 37% para 26%.
Desafios da Reforma Tributária
A implementação da Reforma Tributária impõe um novo desafio estratégico para o setor. O levantamento revela que apenas 19% das empresas se sentem totalmente preparadas para as mudanças em curso. Entre as medidas planejadas pelos gestores, a revisão da política de preços lidera a lista, com 63% das intenções, seguida pela reestruturação societária ou mudança de regime tributário (32%) e pela renegociação de contratos (31%).
Para as empresas optantes pelo Simples Nacional, o cenário é de indefinição. Cerca de 8 em cada 10 negócios deste grupo ainda não decidiram qual caminho seguir, aguardando maior clareza regulatória ou avaliando os impactos financeiros, com prazo prorrogado até 30 de outubro. Atualmente, apenas 21% já definiram sua estratégia, optando pelo Simples Nacional Híbrido ou Tradicional.
O papel estratégico do contador
A transição tributária deve elevar a importância da consultoria contábil. Segundo 73% dos empresários, o contador assumirá um papel mais estratégico no suporte às decisões de negócio. As expectativas de apoio concentram-se em orientação estratégica (71%) e na simulação de impactos financeiros e tributários (66%), superando a demanda por serviços tradicionais de cumprimento de obrigações fiscais (47%).
Felipe Beraldi, economista da Omie, destaca que, embora a prorrogação dos prazos ofereça um fôlego extra, a necessidade de simulações precisas permanece fundamental. O estudo foi realizado por meio de questionário online com 410 gestores de PMEs, excluindo microempreendedores individuais (MEIs), com margem de erro de 5% e nível de confiança de 95%.