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ASSISTA: Porto Velho Café transforma torrefação artesanal em valorização do Robusta Amazônico

Em entrevista ao RuralCast, o empreendedor Gilmar dos Santos Coelho apresentou a história da empresa familiar, explicou como funciona a produção de cafés frescos e destacou a importância de consumir produtos de Rondônia

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Empreendedorismo familiar ganha espaço no mercado de cafés

O crescimento da produção de cafés de qualidade em Rondônia vem abrindo espaço para novos negócios e aproximando o consumidor das diferentes características do Robusta Amazônico. Um exemplo desse movimento é a Porto Velho Café, empresa familiar dedicada à torrefação, ao beneficiamento e ao envasamento artesanal de cafés.

O empreendimento foi apresentado por Gilmar dos Santos Coelho durante entrevista ao RuralCast, podcast do Grupo Amazun exibido no canal Olá Rondônia. A conversa foi conduzida pelo apresentador Adalto Costa durante a cobertura especial da 2ª AGROTEC, em Porto Velho.

Gilmar contou que a empresa completou dois anos de atividade em agosto e nasceu após um período de pesquisas, cursos e busca por conhecimento dentro e fora de Rondônia.

“A gente fez várias pesquisas, vários cursos e se apaixonou pelo café. O Robusta Amazônico está em uma ascensão muito grande na nossa região e vai ganhar o mundo.”

Segundo o empreendedor, a família identificou que Porto Velho ainda possuía uma oferta limitada de cafés frescos e de qualidade. A partir dessa percepção, decidiu investir em uma pequena torrefação artesanal para atender diretamente os consumidores da capital.

Torrefação artesanal trabalha com café fresco

Um dos principais diferenciais da Porto Velho Café é a produção conforme a demanda. Em vez de manter uma grande quantidade de café já torrado, moído e embalado, a empresa procura preparar os pedidos próximos ao momento da entrega.

“É sempre torra fresca. A gente torra por demanda e não costuma guardar o café torrado e envasado por muito tempo.”

Quando o consumidor faz o pedido, o café pode ser moído e embalado na hora. Essa proposta busca preservar o aroma e as características sensoriais dos grãos.

“O cliente recebe em casa um café que foi moído há poucos minutos. Às vezes, ele chega ainda quente.”

Gilmar explicou que, depois de moído, o café começa a passar por um processo de oxidação que reduz gradualmente o aroma e altera o paladar. Por isso, consumir o produto fresco ou moer os grãos somente no momento do preparo pode proporcionar uma experiência mais intensa.

“Quando a pessoa consome um café produzido naquela semana, fresco e de qualidade, ela sente a diferença na hora.”

Seleção dos produtores começa na propriedade rural

A qualidade do produto também depende da seleção cuidadosa da matéria-prima. Gilmar afirmou que mantém uma relação próxima com produtores de diferentes municípios de Rondônia.

Para ele, os fornecedores são tratados como amigos e parceiros, pois existe uma troca constante de conhecimento sobre produção, secagem, classificação e qualidade dos grãos.

“Eu não os chamo apenas de fornecedores. São amigos e parceiros. A gente vai até a propriedade, conversa e acompanha o trabalho.”

A Porto Velho Café procura adquirir grãos de produtores que utilizam processos cuidadosos, como a secagem natural e o uso de terreiros suspensos. Essas práticas podem ajudar a preservar a qualidade da bebida e agregar valor ao café.

“A gente seleciona produtores que trabalham de forma mais artesanal, porque isso agrega valor à bebida e melhora o paladar.”

Opções para diferentes perfis de consumidores

Durante o RuralCast, Gilmar destacou que a empresa não trabalha somente com cafés especiais ou premiados. O catálogo também possui alternativas de entrada, destinadas a consumidores que procuram um produto de qualidade com preço mais acessível.

A marca comercializa diferentes classificações e perfis de torra, incluindo café superior com torra média ou escura, Gourmet Robusta, café Arábica, blends e cafés especiais naturais ou fermentados.

“Trabalhamos com grão especial e café de concurso, mas também temos um café de entrada para quem quer qualidade com preço justo e acessível.”

A variedade permite que cada consumidor experimente os produtos e identifique o perfil mais próximo de sua preferência. Em feiras, os grãos são apresentados ao público, que pode conhecer as opções antes de escolher.

“A gente expõe os grãos para a pessoa ver e escolher. Se ela não possui moinho em casa, nós fazemos a moagem na hora.”

Atendimento direto aproxima marca e consumidor

O atendimento ao consumidor final é o principal foco da Porto Velho Café. A empresa participa de feiras, recebe pedidos pelas redes sociais e realiza entregas.

Gilmar explicou que esse contato direto permite apresentar as características de cada produto e orientar os clientes sobre a escolha do café, o tipo de moagem e a melhor forma de preparo.

A presença nas feiras de Porto Velho também ajudou a tornar a marca mais conhecida. Conforme o empreendedor, pessoas que experimentam o café na casa de amigos frequentemente procuram o perfil da empresa para fazer seus próprios pedidos.

“A pessoa vai à casa de alguém, toma o café e depois entra em contato dizendo que quer aquele mesmo produto.”

O alcance da marca já ultrapassou as fronteiras de Rondônia. Durante a entrevista, Gilmar revelou que pedidos foram enviados para consumidores de quase todos os estados brasileiros.

Conhecimento influencia no sabor da bebida

Além de vender o produto, a Porto Velho Café procura compartilhar orientações sobre como preparar corretamente a bebida.

De acordo com Gilmar, fatores como temperatura da água, tipo de moagem, proporção entre água e café, método de preparo e tempo de extração interferem diretamente no resultado apresentado na xícara.

“A gente precisa aprender a fazer o café da forma correta. Ele fica muito mais saboroso e mais fácil de tomar até sem açúcar.”

Uma extração muito rápida pode não aproveitar todas as características do grão. Por outro lado, um processo excessivamente demorado pode resultar em sabores indesejados.

“Se a extração for muito rápida, não vai aproveitar tudo o que o café tem. Se demorar demais, também pode extrair características que não são agradáveis.”

No perfil @portovelhocafe, a empresa publica informações sobre diferenças entre cafés naturais e fermentados, níveis de torra, métodos de preparo, mitos e verdades sobre a bebida.

“A gente tenta agregar conhecimento na página até para quem ainda não é cliente conhecer mais sobre o café.”

Porto Velho começa a produzir cafés especiais

O avanço da cafeicultura em Porto Velho e em municípios próximos também foi abordado no podcast. Gilmar afirmou que conheceu produtores da capital e de cidades vizinhas durante a 2ª AGROTEC, identificando novas oportunidades para comprar matéria-prima regional.

Historicamente, os cafés especiais de Rondônia são associados com maior frequência a municípios como Cacoal e Novo Horizonte do Oeste. Entretanto, produtores de Porto Velho e de outras localidades, como Nova Mamoré, também estão investindo na qualidade dos grãos.

“A partir deste ano, produtores de Porto Velho também estão investindo em café especial. É questão de tempo para o município entrar nesse cenário.”

Para Gilmar, o surgimento de novos produtores, marcas e torrefações fortalece toda a cadeia produtiva do café rondoniense.

“Quanto mais marcas de produtores locais chegarem ao consumidor final, melhor para Rondônia e para o Robusta Amazônico.”

Café regional fortalece a agricultura familiar

Um dos momentos de maior destaque da entrevista ocorreu quando Gilmar incentivou o público a experimentar os cafés produzidos em Rondônia.

Segundo ele, escolher um produto regional não significa apenas consumir uma bebida de qualidade. A decisão também valoriza agricultores familiares, movimenta a economia local e mantém recursos circulando no estado.

“Faça o teste com os cafés de Rondônia e com o Robusta Amazônico. Você estará valorizando a agricultura familiar, muitas vezes do seu próprio município.”

O empreendedor também compartilhou relatos de consumidores que conheciam a fama do Robusta Amazônico, mas ainda não conseguiam encontrar o produto com facilidade.

“Uma cliente se emocionou porque tinha ouvido falar muito do Robusta Amazônico e, finalmente, estava levando aquele café para a xícara dela.”

Café preserva memórias e aproxima gerações

Além de seu valor econômico, o café possui uma forte ligação com a memória afetiva das famílias. O aroma, o preparo e o momento de servir a bebida despertam lembranças e aproximam pessoas de diferentes gerações.

A retomada do hábito de comprar o café em grãos e moê-lo em casa também reforça essa relação. Para muitos consumidores, o processo lembra práticas tradicionais vividas com pais e avós.

“Muita gente está comprando moinho, levando o grão e moendo em casa, revivendo memórias.”

Essa experiência demonstra que o café vai além de um produto comercial. Ele está presente em encontros familiares, conversas entre amigos, ambientes de trabalho e diferentes momentos da vida cotidiana.

Empresa familiar envolve esposa e filhos

A Porto Velho Café é conduzida com a participação direta da família de Gilmar. A esposa e os dois filhos trabalham em diferentes etapas, como torrefação, processamento, envasamento, embalagem e atendimento aos clientes.

“Hoje somos eu, minha esposa e meus dois filhos. Todos sabem torrar, envasar e participar do processo.”

Com o crescimento da demanda, outras pessoas começaram a colaborar com a produção. Ainda assim, a essência familiar permanece como uma das principais características do empreendimento.

Enquanto parte da família trabalha na operação, Gilmar mantém o relacionamento com produtores, seleciona os cafés e busca novos lotes para garantir o abastecimento durante o ano.

Equipamentos serão modernizados

A torrefação possui uma máquina profissional com capacidade para processar aproximadamente 15 quilos de café por ciclo. Segundo Gilmar, o tempo de torra pode chegar a cerca de 15 minutos, dependendo das características do lote e do perfil desejado.

A empresa também está investindo em uma máquina para separar os grãos por tamanho. O equipamento deverá permitir maior uniformidade durante a torrefação, pois grãos de tamanhos diferentes podem reagir de maneiras distintas ao calor.

“A máquina vai separar os grãos por peneiras. Com isso, a torra ficará mais uniforme e mais precisa para o consumidor.”

Essa modernização integra uma série de investimentos planejados para melhorar a estrutura e ampliar a capacidade produtiva.

Planos incluem ampliação e cafeteria

A empresa começou em um espaço pequeno, compatível com a demanda daquele momento. Com o aumento do número de clientes, a família passou a planejar a ampliação da área de torrefação.

Entre os projetos futuros também estão a criação de uma loja física e a abertura de uma cafeteria em Porto Velho.

“Queremos melhorar os equipamentos, ampliar a nossa área de torrefação e, futuramente, ter uma loja física e uma cafeteria.”

Gilmar reconheceu que o crescimento alcançado nos primeiros dois anos já superou expectativas. Segundo ele, ser identificado nas ruas como “o rapaz do café” demonstra que a marca está conquistando espaço entre os consumidores da capital.

“Porto Velho tem mais de 500 mil habitantes, e já ser conhecido como o rapaz do café é motivo de muita gratidão.”

Marca carrega a identidade de Porto Velho

O nome Porto Velho Café reforça a ligação do empreendimento com a capital de Rondônia. A identidade visual também faz referência às Três Caixas-d’Água, um dos principais símbolos históricos e culturais do município.

Durante o RuralCast, Gilmar explicou que outro nome chegou a ser planejado, mas precisou ser alterado após a identificação de uma marca semelhante. A escolha por Porto Velho Café fortaleceu a identidade regional e foi bem recebida pelo público.

Atualmente, a empresa realiza torrefação, beneficiamento e envasamento na Rua Flamengo, nº 6148, em Porto Velho. Pedidos, informações sobre os cafés e conteúdos educativos podem ser encontrados no Instagram @portovelhocafe.

A participação de Gilmar dos Santos Coelho no RuralCast mostrou como conhecimento, trabalho familiar e valorização da produção regional podem transformar uma oportunidade de mercado em um empreendimento com identidade própria.

A entrevista foi conduzida por Adalto Costa durante a cobertura do Grupo Amazun na 2ª AGROTEC, em Porto Velho.


Assista ao podcast completo:



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