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ASSISTA: RECA fortalece produção sustentável e amplia comercialização de produtos da Amazônia

Em entrevista ao RuralCast, Esmeraldo Pedroso de Oliveira destacou a trajetória da cooperativa, a produção orgânica, os custos do setor e os desafios para levar os produtos aos grandes mercados

Redação Olá Rondônia / RuralCast

Cooperativismo e produção sustentável ganham destaque no RuralCast

O cooperativismo, a valorização da agricultura familiar e a produção sustentável na Amazônia foram os principais assuntos de mais uma edição do RuralCast, uma produção do Grupo Amazun, exibida no canal do YouTube Olá Rondônia.

Gravado durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho, o episódio foi apresentado por Adalto Costa e contou com a participação de Esmeraldo Pedroso de Oliveira, cooperado e representante comercial da RECA.

Durante a conversa, Esmeraldo apresentou detalhes sobre a origem da organização, os produtos comercializados, a certificação orgânica e os desafios enfrentados para levar a produção de Nova Califórnia aos principais mercados consumidores.

Segundo o representante, a RECA nasceu a partir da união de famílias que chegaram à região no final da década de 1980. O grupo enfrentou dificuldades relacionadas à infraestrutura, às condições de saúde e à falta de mercado para produtos tradicionais, como milho, arroz e feijão.

“O pontapé inicial da RECA foi em 1988. O registro veio no começo de 1989, como associação, e depois fundamos a cooperativa em 2005”, explicou Esmeraldo.

União de conhecimentos ajudou a construir a cooperativa

A experiência da RECA foi construída por meio da união entre os conhecimentos trazidos por agricultores de outras regiões do Brasil e os saberes das comunidades que já viviam na Amazônia.

Diante das dificuldades para produzir e comercializar culturas convencionais, os agricultores passaram a investir em espécies adaptadas à região, entre elas o cupuaçu, a pupunha e a castanheira.

“Pensamos em investir em alguma coisa que fosse da região. Juntamos o nosso conhecimento com o conhecimento das pessoas que já viviam nos seringais”, relatou.

A iniciativa começou como associação e, posteriormente, avançou para a formação de uma cooperativa, ampliando a capacidade de comercialização e organização dos produtores.

Atualmente, conforme Esmeraldo, a RECA reúne aproximadamente 300 cooperados com produção entregue à cooperativa e atende diretamente mais de 500 famílias.

Sistemas agroflorestais e recuperação de áreas

Um dos diferenciais da RECA é o modelo de produção baseado na diversificação das culturas e nos sistemas agroflorestais. A cooperativa evita a monocultura e busca combinar diferentes espécies em uma mesma área.

Esse sistema possibilita a recuperação de áreas degradadas, a conservação ambiental e a geração de renda para as famílias produtoras.

“Nunca pensamos em monocultura, sempre em consórcio, aproveitando áreas degradadas para fazer esse plantio”, destacou o cooperado.

A proposta demonstra que é possível conciliar atividade econômica, geração de empregos, fortalecimento das comunidades rurais e preservação dos recursos naturais.

Cupuaçu, pupunha, açaí e castanha movimentam a produção

Entre os principais produtos trabalhados pela RECA estão a polpa de cupuaçu, a manteiga de cupuaçu, o palmito de pupunha, as polpas de frutas, o açaí, a castanha e as geleias.

A manteiga de cupuaçu é extraída das sementes da própria fruta e atende empresas interessadas em matérias-primas da biodiversidade amazônica. Parte significativa da produção também é destinada a outros estados.

“O cupuaçu é comercializado, em grande parte, fora de Rondônia, principalmente para São Paulo e para grandes empresas”, afirmou Esmeraldo.

De acordo com o representante, a cooperativa também participa de chamadas públicas e fornece produtos para instituições, ajudando a movimentar o mercado regional.

Certificação orgânica agrega qualidade à produção

A produção orgânica foi outro ponto de destaque da entrevista. Segundo Esmeraldo, parte dos cooperados já possui certificação e trabalha sem agrotóxicos, queimadas ou práticas prejudiciais ao meio ambiente.

A certificação não considera somente um produto isolado. Para que o produtor seja reconhecido dentro da modalidade, toda a propriedade precisa atender aos critérios estabelecidos.

“Temos cerca de 30% dos associados certificados e trabalhando nessa linha orgânica. Não é apenas um produto: a propriedade precisa estar dentro do sistema”, explicou.

Entre os produtos com certificação orgânica mencionados durante o RuralCast estão o palmito de pupunha, o cupuaçu, o açaí, as geleias e a castanha.

“Dá para produzir dentro dos sistemas florestais, preservando o meio ambiente e oferecendo um produto de boa qualidade”, ressaltou Esmeraldo.

Custo da produção orgânica ainda é um desafio

Apesar dos benefícios ambientais e da qualidade dos alimentos, a produção orgânica apresenta custos mais elevados. O manejo exige maior cuidado, acompanhamento técnico, controle dos processos e cumprimento de uma série de exigências documentais.

Esmeraldo explicou que a expectativa seria comercializar os produtos orgânicos por um valor aproximadamente 30% superior ao dos convencionais. Contudo, para conquistar espaço no mercado, alguns itens ainda são vendidos praticamente pelo mesmo preço.

“O custo é bem maior, tanto para cultivar uma área sem agrotóxico e sem fogo quanto na fabricação e na documentação exigida”, afirmou.

Essa diferença entre o custo da produção e o preço aceito pelo mercado representa um dos desafios enfrentados pelos cooperados. A valorização dos alimentos orgânicos depende também da conscientização dos consumidores sobre os benefícios sociais, ambientais e econômicos desse modelo.

Distância aumenta custos e dificulta a comercialização

A comercialização foi apontada como um dos principais gargalos enfrentados pela cooperativa. O parque industrial da RECA está localizado a mais de 300 quilômetros da área urbana de Porto Velho, o que eleva os custos logísticos e dificulta o acesso aos grandes centros consumidores.

“Hoje, o nosso ponto de estrangulamento é a comercialização. Temos uma grande produção, mas estamos longe dos grandes centros onde existe maior consumo”, explicou.

A distância interfere no transporte, na distribuição e na formação do preço final. Depois de industrializados, os produtos precisam percorrer longos trajetos até alcançar mercados com maior demanda.

Esmeraldo observou que muitos consumidores da região ainda estão habituados aos produtos artesanais e nem sempre conhecem as opções industrializadas da cooperativa.

Participação na AGROTEC aproxima produção e consumidores

A presença da RECA na 2ª AGROTEC foi considerada estratégica para divulgar os produtos, conquistar clientes e fortalecer a distribuição em Porto Velho e em outros municípios de Rondônia.

“Para nós é de suma importância estar aqui. O nosso parque industrial fica a mais de 300 quilômetros, e muitas pessoas de Porto Velho ainda não conhecem os nossos produtos”, declarou.

A participação em feiras permite que os consumidores conheçam a qualidade dos alimentos, entendam como ocorre a produção e reconheçam o trabalho desenvolvido pelos cooperados.

Além da comercialização direta, esses eventos ajudam a criar novas parcerias com mercados, distribuidores, revendedores e instituições interessadas em produtos regionais.

RECA estuda ampliar portfólio com café e cacau

Durante a entrevista, Esmeraldo também revelou que a cooperativa vem discutindo a inclusão de novas cadeias produtivas. Entre as possibilidades estão o café e o cacau, culturas que já possuem presença na região.

A RECA trabalha atualmente com etapas de secagem e limpeza do café, que posteriormente é comercializado para compradores de outros mercados. Uma das propostas em avaliação é lançar um café com a marca da própria cooperativa.

“Estamos discutindo dar mais um passo e fazer o café com a marca RECA para colocar no mercado”, contou.

A decisão precisa considerar os custos industriais, a distância dos centros consumidores e a concorrência existente no segmento. Para a cooperativa, diversificar o portfólio é importante, mas cada novo produto exige planejamento, escala e viabilidade comercial.

Distribuição busca facilitar acesso aos produtos

A RECA possui sua unidade produtiva às margens da BR-364, no quilômetro 1.071, no distrito de Nova Califórnia, em Porto Velho. No local, a cooperativa mantém sua estrutura industrial e um ponto para comercialização dos produtos.

Para melhorar o atendimento na capital, a organização também estruturou um depósito e uma operação de distribuição, possibilitando que mercados, revendedores e consumidores tenham acesso aos produtos em menores quantidades e com maior rapidez.

“A ideia é facilitar para que as pessoas consigam acessar os produtos em pequenas quantidades, de forma mais fácil e mais rápida”, afirmou Esmeraldo.

Como representante comercial, ele atua na aproximação da cooperativa com estabelecimentos e potenciais compradores de diversas regiões do estado.

Uma experiência consolidada na Amazônia

Ao longo de aproximadamente 38 anos de história, a RECA construiu uma trajetória marcada pela cooperação, pela sustentabilidade e pelo aproveitamento responsável dos recursos da Amazônia.

O trabalho começou diante das dificuldades enfrentadas por famílias agricultoras e cresceu até alcançar mercados regionais e nacionais. A cooperativa passou a industrializar sua produção, conquistar certificações e formar parcerias com empresas interessadas em produtos amazônicos.

Ao encerrar o episódio, Adalto Costa destacou a importância de ampliar a visibilidade das iniciativas que fortalecem o campo e geram oportunidades para os produtores rurais.

A participação de Esmeraldo Pedroso de Oliveira no RuralCast mostrou que o cooperativismo pode transformar desafios individuais em soluções coletivas, mas também reforçou a necessidade de melhorar a logística, ampliar os canais de distribuição e garantir preços capazes de cobrir os custos da produção sustentável.

Assista ao episódio completo

Acompanhe a entrevista com Esmeraldo Pedroso de Oliveira, cooperado e representante comercial da RECA, no RuralCast, apresentado por Adalto Costa durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho.


ASSISTA AO EPISÓDIO COMPLETO:



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