CREA Júnior busca preencher lacuna entre faculdade e profissão
A passagem da universidade para o mercado de trabalho pode trazer dúvidas que nem sempre são respondidas durante a graduação. É justamente nesse espaço que o CREA Júnior busca atuar.
Durante a entrevista no RuralCast, Tatiele Leite explicou que o programa trabalha para aproximar estudantes e recém-formados do sistema profissional que acompanhará suas carreiras.
“A gente vê uma lacuna onde muitas vezes os profissionais saem da graduação sem nem saber qual era o conselho.”
A proposta é fazer com que o futuro profissional conclua a faculdade entendendo melhor o funcionamento do conselho, suas responsabilidades e procedimentos necessários para exercer a profissão.
Programa avança pelo interior de Rondônia
O trabalho não está concentrado somente em Porto Velho.
Segundo Tatiele, o CREA Júnior já possui núcleos em municípios como Vilhena, Cacoal, Rolim de Moura, Ariquemes e Jaru, além de representantes em outras localidades.
Esses núcleos desenvolvem palestras, atividades de capacitação e visitas técnicas, criando oportunidades para que os acadêmicos tenham contato com situações práticas.
“Esse ano a gente está em todo o estado.”
Entre as atividades mencionadas está uma visita técnica a uma usina hidrelétrica, proporcionando aos estudantes contato direto com estruturas e processos relacionados à profissão.
Da teoria para experiências práticas
Um dos diferenciais destacados no RuralCast é justamente a tentativa de ultrapassar os limites da sala de aula.
O programa aproxima estudantes de profissionais e também participa de projetos aplicados. Entre os exemplos citados durante a entrevista estão trabalhos relacionados à Praça 7 de Setembro e estudos de viabilidade de energia solar para prefeituras, desenvolvidos com participação de acadêmicos.
A experiência permite ao estudante utilizar conhecimentos adquiridos na graduação diante de demandas concretas.
“Não é só um trabalho teórico, ele é muito prático também.”
Engenharia vai muito além da Civil e Elétrica
Outro ponto abordado foi a diversidade das engenharias existentes em Rondônia.
Tatiele lembrou que, quando se fala em engenharia, muitas pessoas ainda pensam imediatamente em Engenharia Civil ou Elétrica. Entretanto, o estado possui formação e atuação em diferentes segmentos.
Entre as áreas citadas estão Engenharia Florestal, Ambiental, Automação, Mecatrônica, Produção, Geologia e Agronomia, além de outras modalidades.
“O leque de engenharias aqui em nosso estado é gigantesco.”
O CREA Júnior é aberto aos estudantes dos cursos ligados ao sistema profissional, permitindo a participação de acadêmicos de diferentes áreas.
Mais de 600 participantes e alcance superior a mil interessados
A expansão do programa também aparece nos números apresentados durante a entrevista.
Segundo Tatiele, o CREA Júnior já havia ultrapassado 600 participantes, enquanto o universo de acadêmicos e interessados que acompanham as atividades superava mil pessoas.
Além dos eventos presenciais, existe um grupo utilizado para divulgar ações e auxiliar estudantes e recém-formados.
“Nosso foco não é só o estudante, mas também o recém-formado.”
Essa etapa posterior à graduação é considerada importante porque muitos jovens profissionais ainda encontram dúvidas relacionadas ao exercício da profissão e até mesmo ao primeiro registro no conselho.
Trabalho voluntário também gera experiência profissional
A atuação dos integrantes do CREA Júnior é voluntária.
Mesmo sem remuneração, Tatiele destacou que a participação oferece benefícios importantes para estudantes e profissionais em início de carreira.
“O programa é um programa voluntário.”
Entre os ganhos estão experiência com projetos, relacionamento profissional, conhecimento institucional, desenvolvimento de liderança e maior proximidade com o mercado.
“O programa só tem como enriquecer mesmo o acadêmico e o recém-formado.”
Ética profissional é levada para dentro das universidades
A ética na engenharia apareceu como um dos pontos centrais da entrevista.
Segundo Tatiele, existem conhecimentos importantes para o exercício profissional que nem sempre recebem a mesma atenção durante a graduação.
“Você precisa saber um pouco sobre ética.”
A coordenadora também trabalha no setor relacionado às comissões e à ética dentro do conselho e relatou perceber situações em que profissionais cometem infrações que poderiam ser evitadas com mais conhecimento.
“Tem muitos profissionais que cometem infrações que facilmente dava pra ser sanadas com um pouquinho de conhecimento.”
A proposta do CREA Júnior é antecipar essas informações e fazer com que o estudante chegue ao mercado mais consciente sobre suas responsabilidades profissionais.
Capacitação acompanha necessidades de cada região
Em um estado territorialmente extenso e com diferentes vocações econômicas, as necessidades profissionais também mudam conforme cada região.
Tatiele explicou que procura ouvir coordenadores de cursos e representantes dos núcleos para identificar quais capacitações podem gerar resultados mais efetivos.
“Eu escuto muito pra gente ser mais certeiro no que eles estão precisando.”
Para ela, quem está diretamente no município consegue compreender melhor as dificuldades locais.
“Eles vão saber melhor do que eu o que aquela cidade está precisando.”
A partir desse levantamento, podem ser organizadas palestras, cursos e outras capacitações para estudantes e recém-formados.
Engenharia também influencia produtividade no campo
A relação entre engenharia, Agronomia e desenvolvimento do agronegócio rondoniense também ganhou destaque.
Durante a conversa, foi discutida a importância da assistência profissional para produtores rurais.
O acompanhamento de um engenheiro agrônomo, por exemplo, pode contribuir para planejamento, manejo, produtividade e utilização adequada de tecnologias.
A entrevista também ressaltou a importância de aproximar os profissionais não somente das universidades, mas também de associações, entidades e setores produtivos.
“Quando você coloca uma entidade, você dá o suporte não só ao profissional, mas também à população e àqueles que vão fazer uso.”
Agronomia registra aumento na procura
Entre as áreas ligadas ao setor produtivo, a Agronomia foi apontada como uma das que apresentam crescimento na procura.
“Tem sim, principalmente do curso Agronomia.”
Segundo Tatiele, áreas ambientais também vêm despertando interesse, acompanhando as características econômicas e produtivas de Rondônia.
Ao mesmo tempo, outras engenharias enfrentam um desafio antigo: o receio dos estudantes diante das disciplinas de exatas.
“Existe esse medo sim.”
Para a coordenadora, o receio relacionado à Matemática e aos cálculos contribui para a evasão nos cursos.
Cálculo está entre os fatores de evasão
A preocupação com a desistência dos acadêmicos levou o programa a investigar as causas da evasão.
Após diálogo com coordenadores, segundo Tatiele, os cálculos apareceram como um dos principais obstáculos.
“A gente verificou que era os cálculos.”
Diante desse cenário, foram iniciadas atividades para auxiliar estudantes justamente nessa área.
O CREA Júnior também planeja avançar para outro ambiente: as escolas.
A intenção é apresentar aos alunos do ensino médio as diferentes possibilidades profissionais existentes dentro da engenharia, ampliando a visão para além das modalidades mais conhecidas.
“Cálculo não é tudo da engenharia”
Ao falar diretamente com jovens que consideram ingressar na área, Tatiele buscou desconstruir a ideia de que engenharia se resume à Matemática.
“Toda engenharia tem cálculo, mas isso também não é tudo.”
A coordenadora defendeu que o medo pode ser superado e lembrou que existem inúmeras possibilidades de atuação.
O cenário econômico de Rondônia, fortemente relacionado ao setor agrícola, também cria espaço para profissionais de diferentes engenharias, da Agronomia às áreas Ambiental e Elétrica.
Qualificação é determinante para conquistar espaço
Um dos alertas mais fortes do episódio está relacionado à preparação profissional.
Na avaliação apresentada durante a entrevista, o problema de Rondônia não está necessariamente na inexistência de oportunidades, mas na disponibilidade de profissionais suficientemente qualificados para determinadas funções.
“Às vezes não tem mão de obra qualificada. É o maior dos nossos problemas no estado.”
Por isso, concluir a graduação não deve representar o fim da formação.
“A gente precisa estar sempre se qualificando.”
A mensagem vale especialmente para um mercado cada vez mais tecnológico e competitivo, no qual empresas buscam profissionais capazes de acompanhar as transformações de suas áreas.
“Qualquer área você precisa se qualificar ou você vai ficar pra trás.”
Programa quer ampliar presença em Rondônia
Na reta final do RuralCast, Tatiele convidou estudantes e recém-formados a conhecerem e participarem das atividades.
Segundo ela, existe demanda para que o programa continue crescendo e chegue a outras regiões.
“Vamos unir forças.”
A expansão depende também da procura dos próprios acadêmicos e profissionais interessados em criar novos núcleos.
A participação do CREA Júnior na 2ª AGROTEC, portanto, reforçou uma mensagem que atravessou toda a entrevista: formação acadêmica, experiência prática, ética e qualificação precisam caminhar juntas.
Em um estado no qual o agronegócio, a infraestrutura, a energia e as questões ambientais possuem papel estratégico, preparar novos engenheiros, agrônomos e profissionais tecnológicos também significa preparar mão de obra para o desenvolvimento de Rondônia.
ASSISTA AO PODCAST COMPLETO
Confira a entrevista completa no RuralCast, do Grupo Amazun, no canal Olá Rondônia:
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