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BR-319: MISSÃO REUNIU SETOR PRODUTIVO PARA AVALIAR INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA ENTRE PORTO VELHO E MANAUS

Redação

Em 2026, o Sistema FAPERON/SENAR, em colaboração com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e federações de agricultura e pecuária do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, participou da Missão Estradeiro BR-319. O objetivo foi inspecionar as condições da BR-319 e a infraestrutura portuária do Rio Madeira, fundamentais para o transporte de grãos, insumos, produtos hortifrutigranjeiros e cargas secas entre Rondônia, Amazonas e outras regiões do país.

A expedição percorreu cerca de 900 quilômetros da BR-319, ligando Porto Velho (RO), Humaitá (AM) e Manaus (AM). Além da rodovia, o grupo visitou estruturas de transporte fluvial e portuário da região para identificar os principais problemas e gargalos logísticos no transporte de cargas e nas rotas que levam a produção aos portos do Arco Norte.

Entre os participantes estavam Edvan Azevedo, vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre; Aluizio Neto, representante da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima; Muni Lourenço, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas; Gedeão Pereira, vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil; Mário Borba, presidente da Comissão de Logística da CNA e da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba; e Elizângela Lopes, assessora técnica de logística da CNA. Também participaram Alisson Rover, diretor da Fecomércio; Paulo Jair Kreuz, 1º vice-presidente da Fiero; Alisson Zamo, vice-presidente da Aprosoja Rondônia; Valdecir Ghedin, pecuarista da Associação dos Pecuaristas do Estado de Rondônia (Apron); Edeon Vaz Ferreira, diretor-executivo da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (Adecon); e Ricardo Sufi, representante da Rovema/Mitsubishi Nacional, com suas equipes.

BR-319 – Amazonas

Durante o trajeto, a missão documentou as condições da BR-319, uma via crucial entre Porto Velho e Manaus. Inaugurada em 1976 e outrora totalmente asfaltada, a rodovia sofreu degradação em muitos trechos devido à falta de manutenção e às severas condições climáticas locais. Um dos pontos mais críticos é o trecho conhecido como Meião, que se estende por 400 km após o distrito de Realidade, em Humaitá, até a balsa do Rio Igapó-Açu. Nesse local, os participantes observaram a necessidade urgente de reconstrução da malha asfáltica, pontes, galerias, bueiros e estruturas de drenagem em concreto.

A avaliação da expedição revelou que a recuperação da estrada exige um processo multifacetado. Em algumas seções, será preciso restaurar o asfalto existente, enquanto em outras, a reconstrução completa da via e a melhoria dos aterros são indispensáveis para garantir maior segurança e durabilidade, especialmente diante do rigoroso inverno amazônico.

Outro obstáculo identificado foi a dificuldade de acesso a materiais de construção essenciais, como brita, pó de brita, cimento e cascalho. A escassez desses materiais ao longo da BR-319 exige seu transporte de Porto Velho e Manaus, seja por via terrestre ou fluvial, utilizando balsas e caminhões-rodotrem, o que eleva consideravelmente os custos das obras devido às longas distâncias.

Transporte e Produção

A missão também enfatizou que a BR-319 é parte integrante de um sistema de transporte mais amplo, onde estradas, rios e portos devem operar em conjunto para o fluxo eficiente de pessoas e da produção agropecuária e industrial. Os rios amazônicos, como o Madeira e o Amazonas, desempenham um papel vital nesse sistema, movimentando grandes volumes de cargas para os portos do Arco Norte e, subsequentemente, para outras regiões do Brasil e mercados internacionais. Essa infraestrutura é essencial para o transporte de produtos agropecuários, fertilizantes, combustíveis, gases, máquinas, equipamentos, alimentos e outros itens consumidos pela população e empresas da região. A situação da BR-319 impacta diretamente o abastecimento de Manaus e a movimentação de produtos da Zona Franca. Portanto, aprimorar as condições da rodovia e dos demais modais de transporte é considerado fundamental não apenas para Rondônia e Amazonas, mas para toda a Amazônia Ocidental.

Próximos Passos

Com base nas informações coletadas, a CNA, em colaboração com as entidades participantes, elaborará um relatório técnico. O documento detalhará os principais problemas e gargalos encontrados, apresentando propostas para buscar soluções junto ao poder público. A iniciativa visa contribuir para a melhoria das condições da BR-319, das hidrovias e dos portos utilizados para o transporte de cargas e pessoas na região.

Hélio Dias, presidente da FAPERON, ressaltou a relevância da Missão Estradeiro 2026 por permitir ao setor produtivo uma compreensão direta da realidade local, superando a análise de dados e relatórios. Ele afirmou que a observação in loco da BR-319 e dos portos do Rio Madeira e Amazonas evidenciou a importância estratégica dessas vias para o escoamento da produção agropecuária, produtos da Zona Franca de Manaus e a entrada de insumos. Dias enfatizou a necessidade de vivenciar essa realidade para construir soluções, buscando, sob a liderança da CNA e em parceria com outras entidades e empresas de logística, a simplificação burocrática e novos investimentos para modernizar a infraestrutura, reduzir custos e fortalecer a produção amazônica em novos mercados.

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