O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a mobilização de R$ 14,1 bilhões para o setor florestal brasileiro, impulsionando uma nova economia focada na restauração ecológica, bioeconomia, conservação e uso sustentável das florestas. Esses recursos já viabilizaram o plantio de 342 milhões de árvores, a recuperação de 205 mil hectares, a criação de 86 mil empregos verdes e a captura de 66 milhões de toneladas de carbono.
Os dados foram apresentados em 22 de abril, durante as celebrações do 74º aniversário do BNDES. A estratégia, denominada BNDES Florestas, integra operações de crédito, recursos não reembolsáveis, participações, investimentos, concessões florestais, mercados de carbono, inovação e suporte técnico. O objetivo é desenvolver e consolidar a economia da floresta em todos os biomas do país.
Do montante total, R$ 8,2 bilhões foram direcionados a financiamentos para projetos em diversas regiões, enquanto R$ 5,9 bilhões correspondem a participações e investimentos voltados à restauração, conservação e uso sustentável dos recursos naturais. As ações abrangem biomas como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, Pampas, além de ecossistemas costeiros e marinhos.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o Brasil possui as condições para liderar uma nova economia baseada na restauração florestal, bioeconomia e mercados ambientais. Ele afirmou que o BNDES está criando os instrumentos necessários para transformar esse potencial em investimentos, empregos, renda e desenvolvimento sustentável, ajudando a estruturar um mercado que concilia preservação ambiental, crescimento econômico e inclusão social.
A estratégia BNDES Florestas opera por meio de uma plataforma integrada, que inclui iniciativas como Florestas Crédito, ProFloresta+, Floresta Viva, Arco da Restauração, concessões florestais, participações e investimentos, inovação e certificação de carbono. Essas ações visam transformar a conservação e a restauração das florestas brasileiras em um motor permanente de desenvolvimento econômico, inclusão social e ação climática.
As iniciativas em andamento abordam três dimensões complementares:
• Climática: Contribuem para a captura de carbono, a conservação da biodiversidade e a restauração de áreas degradadas.
• Social: Fortalecem a geração de renda, a inclusão produtiva e o protagonismo de povos indígenas, quilombolas, agricultores familiares e comunidades tradicionais.
• Econômica: Impulsionam cadeias produtivas sustentáveis, ampliam a oferta de crédito e atraem investimentos privados para a nova economia da floresta.
Financiamento
Os R$ 8,2 bilhões mobilizados em financiamento combinam crédito, instrumentos não reembolsáveis e contrapartidas privadas, com o objetivo de ampliar a capacidade de investimento do setor e escalar a restauração florestal, o manejo sustentável, a bioeconomia e as cadeias produtivas associadas. As iniciativas apoiadas pelo Banco funcionam de forma integrada, criando um ecossistema que conecta restauração, bioeconomia, carbono, inovação e desenvolvimento territorial, onde viveiros abastecem projetos e redes de sementes fornecem insumos.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ressaltou que o Banco está estruturando uma nova economia florestal no Brasil, que transforma conservação em oportunidades de desenvolvimento, renda e inclusão. Ela explicou que o BNDES Florestas integra crédito, investimentos, inovação e participação comunitária para escalar a restauração, fortalecer a bioeconomia e valorizar os ativos ambientais brasileiros, construindo um ecossistema que une produção sustentável, recuperação ambiental e geração de oportunidades.
Mercado de Capitais
As ações do BNDES no mercado de capitais são estratégicas para mobilizar recursos privados em investimentos sustentáveis. Isso ocorre por meio de participações diretas, coinvestimentos e fundos estruturados focados na bioeconomia, restauração ecológica e produtiva via Sistemas Agroflorestais (SAFs), além do uso sustentável de florestas nativas. O Banco atua como investidor âncora e estruturador, reduzindo riscos, aprimorando a governança e atraindo capital institucional para a economia verde. A agenda verde é uma prioridade para a BNDESPAR em renda variável. A Chamada de Clima é um exemplo, permitindo à BNDESPAR investir até R$ 1 bilhão em fundos para projetos de restauração e conservação florestal em larga escala, com potencial de mobilizar até R$ 4 bilhões em investimentos, sendo cerca de R$ 3 bilhões de capital privado.
O diretor Financeiro e de Mercado de Capitais, Alexandre Abreu, enfatizou a importância do apoio via mercado de capitais para ampliar a escala da economia florestal, mobilizando recursos privados e investidores institucionais. Ele destacou que a BNDESPAR, ao atuar como âncora, contribui para criar uma classe de investimento com retorno econômico e impacto socioambiental, fortalecendo cadeias da bioeconomia, viabilizando projetos de restauração em larga escala e consolidando um mercado que valoriza a floresta em pé como vetor de desenvolvimento sustentável.
A estratégia inclui também investimentos em fundos de reflorestamento e conservação de florestas nativas, como o aporte de R$ 300 milhões da BNDESPAR no fundo do BTG Pactual, gerido pela Timberland Investment Group (TIG). Essa operação faz parte de um fundo com potencial para mobilizar aproximadamente R$ 1,9 bilhão para o plantio e a conservação de florestas nativas. Somadas, a Chamada de Clima e as demais iniciativas de participações e investimentos totalizam R$ 5,9 bilhões para restauração, conservação e uso sustentável das florestas brasileiras, sendo R$ 1,3 bilhão da BNDESPAR e R$ 4,6 bilhões de capital privado.