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Participantes de seminário pedem requisitos ambientais para instalação de centros de processamento de dados

Redação

Participantes de seminário pedem requisitos ambientais para instalação de centros de processamento de dados

Em um seminário realizado na Câmara dos Deputados, especialistas e representantes da sociedade civil defenderam a criação de um marco legal com regras claras para a instalação de data centers de inteligência artificial no Brasil, com foco especial no licenciamento ambiental. O evento abordou a implantação de três grandes centros de processamento de dados no país, localizados no Rio Grande do Sul, Ceará e Minas Gerais.

A ausência de uma legislação específica para data centers no Brasil tem levado a processos de licenciamento ambiental simplificados, o que, segundo Soraya Vanini Tupinambá, assessora do deputado estadual cearense Renato Roseno, impede uma compreensão clara dos impactos desses empreendimentos. Ela exemplificou a situação no Ceará, onde os relatórios ambientais simplificados não forneceram dados suficientes sobre a demanda de água para resfriamento e a geração de ruído.

Soraya Tupinambá destacou a variação nas estimativas de consumo de água para um data center no Ceará, que inicialmente indicavam 19,7 mil litros/dia, passando para 30 mil litros/dia, e depois 88 mil litros, conforme parecer do Ministério Público. A Secretaria de Recursos Hídricos do estado, por fim, concedeu outorga para o uso de 144 mil litros de água. Ela também mencionou que um data center do TikTok em construção na cidade de Caucaia ocupará uma área de 700 m² e terá um consumo energético diário de 300 megawatts.

A situação é similar no Rio Grande do Sul, conforme relatado por Conrado Klöckner, coordenador da bancada do Psol na Assembleia Legislativa. Ele informou que o município de Eldorado do Sul sediará o maior data center da América Latina, com um consumo anual de energia estimado em 5 mil megawatts, o que representa quatro vezes o consumo residencial de todo o estado em 12 meses. Klöckner ressaltou a dificuldade em apresentar questionamentos às empresas e ao poder público devido à falta de um marco legal específico para o setor.

Preocupação com a ausência de informações

Em Uberlândia, Minas Gerais, a vereadora Amanda Gondim expressou preocupação com a instalação de dois data centers na cidade. Ela afirmou que tanto a prefeitura quanto as empresas envolvidas têm se recusado a fornecer informações sobre os projetos. A vereadora relatou que a prefeitura alegou ter apenas facilitado um investimento privado, sem responsabilidade de fiscalizar impactos ou planejamento, e que para ter acesso a dados, seria necessário assinar um acordo de confidencialidade com a empresa.

Amanda Gondim também alertou para os potenciais impactos ambientais, citando o alto consumo de água e energia. A estimativa de consumo de água para os data centers em Uberlândia pode chegar a 1,7 milhão de litros por dia, volume que seria suficiente para abastecer metade da cidade. Já a previsão de consumo de energia é de 400 megawatts diários, equivalente ao consumo atual de toda a população local.

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