A sustentabilidade da produção agropecuária depende diretamente da disponibilidade de água. Essa foi a principal mensagem levada pelo consultor florestal Adilson Pepino aos visitantes da Rondônia Rural Show, ao apresentar um projeto ambiental que atua há mais de três décadas na recuperação de áreas degradadas e preservação dos recursos naturais.
Segundo Adilson, o projeto nasceu em 1989 e passou por anos de estudos e aperfeiçoamento até alcançar resultados efetivos. O primeiro trabalho considerado plenamente exitoso foi implantado em 1997 e permanece como referência na recuperação ambiental em Rondônia.
Atualmente, a iniciativa está presente em 16 municípios rondonienses e também em Governador Valadares, Minas Gerais. O foco principal é a recuperação de nascentes, matas ciliares e, mais recentemente, a proteção das áreas responsáveis pela recarga do lençol freático.
“O trabalho não se resume apenas ao plantio de árvores ao redor das nascentes. Precisamos cuidar da origem da água. Sem lençol freático não existe afloramento e não existem nascentes. Por isso, é fundamental investir em tecnologias que permitam armazenar a água da chuva e fortalecer as áreas de recarga hídrica”, destacou.
O especialista ressalta que a simples recuperação da vegetação em torno das nascentes já não é suficiente para garantir a segurança hídrica no longo prazo. Segundo ele, a preservação dos morros e das áreas de infiltração de água tornou-se uma prioridade para manter os recursos hídricos disponíveis para as futuras gerações.
Mais de 180 nascentes recuperadas
Embora não possua o número exato atualizado, Adilson afirma que o projeto já contribuiu para a recuperação de mais de 180 nascentes ao longo de sua trajetória. Os resultados, segundo ele, demonstram que a recuperação ambiental é possível quando existe planejamento técnico, comprometimento dos produtores e acompanhamento especializado.
A atuação ocorre tanto em propriedades rurais quanto em áreas que apresentam processos de degradação ambiental decorrentes do uso inadequado do solo.
Água é patrimônio estratégico do produtor
Durante a entrevista, Adilson também chamou atenção para um cenário que considera preocupante. Enquanto Rondônia avança em produtividade agrícola e conquista reconhecimento nacional e internacional na produção de alimentos, especialmente na cafeicultura, muitos produtores ainda deixam de investir adequadamente na conservação de seus recursos hídricos.
O consultor lembrou que o estado passou a ocupar posição de destaque no agronegócio brasileiro graças à adoção de tecnologias modernas, aumento da produtividade e melhoria da qualidade dos produtos agrícolas. Entretanto, sem água disponível, toda essa evolução pode ser comprometida.
“O maior patrimônio de uma propriedade rural é a água. O produtor pode investir em máquinas, genética, irrigação e tecnologia, mas se não preservar suas fontes hídricas, enfrentará dificuldades no futuro”, alertou.
Conscientização e sustentabilidade
Para Adilson Pepino, a preservação ambiental deve caminhar lado a lado com a produção agropecuária. Ele defende que a conscientização dos produtores é uma das ferramentas mais importantes para garantir a sustentabilidade do setor.
A proposta é incentivar a recuperação das áreas degradadas, proteger nascentes, preservar matas ciliares e ampliar as ações voltadas à conservação do lençol freático, garantindo que a água continue disponível para abastecimento humano, produção agrícola e equilíbrio ambiental.
O tema ganha ainda mais relevância diante dos desafios climáticos enfrentados nos últimos anos, reforçando a necessidade de integrar produção, conservação ambiental e gestão eficiente dos recursos naturais.
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