A busca por alternativas mais sustentáveis e eficientes para a piscicultura em Rondônia tem impulsionado pesquisas desenvolvidas pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), campus de Rolim de Moura. Um dos projetos que vem ganhando destaque é coordenado pelo professor Wilson Gómez Manrique, médico veterinário e zootecnista, que atua no curso de Medicina Veterinária da instituição.
Durante entrevista concedida ao Grupo Amazun, o pesquisador explicou que o estudo faz parte das ações do grupo de pesquisa e extensão em aquicultura da universidade. O trabalho investiga os efeitos de uma planta conhecida popularmente como “rabo de gato” no fortalecimento do sistema imunológico de peixes, especialmente no combate preventivo às doenças bacterianas.
Segundo Wilson Gómez Manrique, a proposta da pesquisa não é apenas tratar a doença, mas fortalecer o organismo dos peixes para reduzir as chances de infecção e minimizar prejuízos aos produtores. O professor destacou que atualmente existem poucas opções de medicamentos aprovados para o tratamento de doenças bacterianas na piscicultura brasileira, o que torna a pesquisa ainda mais relevante para o setor.
“O objetivo é fortalecer o sistema imune do peixe e prevenir o surgimento das doenças”, destacou o pesquisador durante a entrevista.
O professor também explicou que fatores como manejo inadequado, desequilíbrio ambiental e qualidade da água influenciam diretamente no aparecimento das doenças. Conforme relatado, as bactérias já estão presentes naturalmente no ambiente aquático, mas o problema surge quando ocorre um desequilíbrio que compromete o bem-estar dos animais.
Outro ponto destacado pelo pesquisador é a dificuldade no tratamento convencional em peixes. Diferente de outras produções animais, na piscicultura os medicamentos geralmente precisam ser administrados via alimentação. Porém, os peixes doentes frequentemente deixam de se alimentar, dificultando a recuperação e aumentando os impactos ambientais provocados pelos produtos químicos utilizados.
A pesquisa já alcançou estágio avançado e deverá passar por testes em escala real com tambaquis. De acordo com Wilson Gómez Manrique, produtores rurais já estão colaborando com o projeto, disponibilizando peixes para os experimentos em ambientes de produção.
O estudo também envolve diferentes grupos de pesquisa e instituições parceiras, incluindo análises genéticas, moleculares e laboratoriais realizadas com apoio de pesquisadores especializados.
Os resultados preliminares já demonstram respostas consideradas positivas pelos pesquisadores, especialmente com a inclusão de 3% da planta na alimentação dos peixes testados.
Além dos avanços científicos, o professor ressaltou a importância da presença da universidade em eventos e feiras do agronegócio, reforçando que a Unir possui diversos projetos capazes de gerar impacto direto para a sociedade e para os produtores rurais de Rondônia.
A expectativa é que a pesquisa contribua futuramente para uma piscicultura mais sustentável, eficiente e economicamente viável, fortalecendo um dos setores que mais cresce no agronegócio rondoniense.