A carne Frescal de São Joaquim, na Serra Catarinense, conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este reconhecimento, que contou com o apoio técnico e articulação do Sebrae, visa valorizar a tradição produtiva da região e reforçar o protagonismo de São Joaquim no cenário nacional de produtos de origem.
Fabio Shindi Tashima, presidente da Cooperativa Novilhos do Futuro (Coopernovilhos), destacou a importância da parceria com o Sebrae. Ele afirmou que a atuação do Sebrae foi primordial, facilitando a estruturação da governança e do caderno técnico da carne Frescal, um processo que, sem esse auxílio, seria desconhecido para a cooperativa.
Produzida com características próprias de preparo, conservação e consumo, a frescal já se consolidou como um atrativo turístico, especialmente durante o inverno catarinense. Segundo Tashima, o reconhecimento da IG deve ampliar ainda mais a conexão do produto com a gastronomia e o turismo local. Ele ressaltou que o Frescal já impulsiona o volume de vendas em períodos de frio intenso e que as IGs caminham juntas, incentivando restaurantes a inserir esses produtos, fortalecendo a economia local.
Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, avalia que a nova IG reforça o potencial das Indicações Geográficas como instrumento de desenvolvimento territorial e valorização das identidades regionais brasileiras. Ela explicou que as Indicações Geográficas fortalecem os pequenos produtores, agregam valor aos produtos e ampliam oportunidades econômicas para os territórios. No caso do Frescal de São Joaquim, o reconhecimento evidencia a força da tradição produtiva da Serra Catarinense e sua conexão com qualidade, origem e cultura local.
Além da valorização comercial, os produtores veem a IG como um compromisso com a preservação da autenticidade do produto. Para isso, foi estruturado um caderno de especificações técnicas com critérios rigorosos para produção e matéria-prima. A proposta, conforme Fabio, não é competir em escala com carnes comuns do mercado, mas consolidar a Frescal de São Joaquim como um produto diferenciado, ligado à identidade e à tradição da Serra Catarinense.
Com esta nova concessão, Santa Catarina passa a contar com 11 Indicações Geográficas, abrangendo diversas cadeias produtivas ligadas ao território serrano:
- Uva Goethe
- Banana de Corupá
- Queijo Artesanal Serrano
- Vinhos de Altitude
- Mel de Melato da Bracatinga
- Maçã Fuji de São Joaquim
- Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense
- Linguiça Blumenau
- Cachaça e Aguardente de Luiz Alves
- Banana de Luiz Alves
- Frescal de São Joaquim
A nova concessão para Santa Catarina eleva o total de Indicações Geográficas nacionais reconhecidas pelo INPI para 161, sendo 128 Indicações de Procedência e 33 Denominações de Origem.