Um boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado este mês, aponta uma situação de alerta, alto risco ou risco para casos graves de síndromes gripais em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal. Desse total, 13 unidades federativas mostram tendência de aumento nas notificações para as próximas semanas.
Os dados, referentes ao período entre 29 de março e 4 de abril, indicam uma prevalência de 40,8% para rinovírus (responsável pela maioria dos resfriados comuns), 30,7% para Influenza A e 19,9% para o vírus sincicial respiratório (VSR). O VSR é conhecido por causar infecções respiratórias e pulmonares em recém-nascidos, mas também representa preocupação para idosos.
Conforme o Ministério da Saúde, o vírus sincicial respiratório é um patógeno comum que provoca infecções em todas as faixas etárias, afetando mais intensamente bebês, idosos e indivíduos com sistemas imunológicos comprometidos.
No Brasil e globalmente, o VSR apresenta maior circulação em períodos específicos do ano, podendo manifestar-se desde sintomas leves até condições respiratórias severas, como a síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que demandam hospitalização.
A pasta alertou que “o VSR é altamente contagioso e infecta o trato respiratório. É uma das principais causas de bronquiolite viral aguda em crianças menores de 2 anos e pode ser responsável por um número expressivo de internações”.
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a expansão do uso da vacina Arexvy, da Glaxosmithkline Brasil Ltda, para adultos a partir dos 18 anos. O imunizante, acessível na rede privada, é destinado à prevenção de doenças do trato respiratório inferior provocadas pelo vírus.
Lançada em 2023, a Arexvy foi pioneira na prevenção da doença no Brasil, mas sua indicação inicial era restrita a adultos com 60 anos ou mais.
A Anvisa avaliou que “o vírus sincicial respiratório é um importante agente etiológico de infecções respiratórias ao longo de toda a vida, podendo causar doenças do trato respiratório inferior, com impacto clínico relevante em adultos, especialmente na presença de comorbidades, além de representar risco aumentado de hospitalização e complicações respiratórias em faixas etárias mais avançadas”.
A agência reguladora acrescentou que “a ampliação da indicação para adultos a partir de 18 anos foi sustentada por estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa, que demonstraram não serem inferiores à resposta imune em adultos mais jovens, em comparação à população com mais de 60 anos”.
Transmissão
O vírus sincicial respiratório é transmitido principalmente por gotículas respiratórias e pelo contato direto com secreções de indivíduos infectados, como ao tocar superfícies ou objetos contaminados e, em seguida, olhos, nariz ou boca. A transmissão pode ocorrer:
- Quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala;
- Por contato próximo com indivíduos infectados;
- Pelo toque em mãos ou superfícies contaminadas.
Sintomas
Os sintomas do vírus sincicial respiratório geralmente se assemelham aos de um resfriado comum, mas podem progredir para quadros respiratórios severos em grupos de maior risco, especialmente em crianças menores de 2 anos. Os sinais mais frequentes incluem:
- Coriza (nariz escorrendo);
- Tosse;
- Espirros;
- Febre;
- Congestão nasal;
- Chiado no peito.
Em casos mais graves, os sinais e sintomas podem ser:
- Respiração rápida ou dificultosa;
- Perda de apetite ou dificuldade para se alimentar;
- Cianose (coloração arroxeada ou azulada da pele, lábios ou pontas dos dedos);
- Alteração do estado mental (irritabilidade ou sonolência).
O ministério ressaltou que, “em bebês, o VSR pode causar bronquiolite viral aguda, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, que são pequenas vias aéreas dos pulmões”.
Grupos de Risco
A pasta indica que alguns grupos têm maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença ao serem infectados pelo vírus sincicial respiratório. São eles:
- Crianças menores de 2 anos, com atenção especial para as menores de 6 meses;
- Bebês prematuros;
- Crianças com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas;
- Crianças com condições neurológicas, síndrome de Down ou anomalias das vias aéreas;
- Idosos;
- Pessoas com condições que comprometem o sistema imunológico.
Diagnóstico
Na maioria dos casos, o diagnóstico do vírus sincicial respiratório é clínico, fundamentado na avaliação do histórico do paciente e dos sintomas manifestados.
Em situações específicas, como em pacientes hospitalizados com quadros mais severos, podem ser realizados testes de biologia molecular (RT-PCR em tempo real) para identificar o vírus em amostras respiratórias.
Tratamento
O Ministério da Saúde enfatiza que não há um medicamento específico para o tratamento do vírus sincicial respiratório. O manejo clínico é de suporte e varia conforme a gravidade do quadro.
As abordagens de tratamento podem envolver:
- Hidratação adequada;
- Controle da febre;
- Lavagem nasal;
- Internação hospitalar e oxigenoterapia em casos mais severos.
Prevenção
A pasta destaca que medidas preventivas simples são eficazes para evitar a infecção e a propagação do vírus sincicial respiratório, tais como:
- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão;
- Evitar contato próximo com indivíduos gripados ou resfriados;
- Limpar e desinfetar objetos e superfícies de uso comum;
- Evitar aglomerações, principalmente para bebês e idosos;
- Manter os ambientes bem ventilados.
Para a proteção de bebês, é crucial “manter a vacinação e as consultas de rotina em dia, promover o aleitamento materno sempre que possível e evitar a exposição à fumaça de cigarro”.
Vacinação para Gestantes
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o VSR para gestantes, visando proteger o bebê nos primeiros meses de vida. O imunizante é administrado em dose única a partir da 28ª semana de gestação.
Após a imunização, a gestante desenvolve anticorpos que são transferidos ao feto via placenta, proporcionando proteção passiva ao recém-nascido. Conforme o ministério, essa estratégia diminui o risco de formas graves da doença e de hospitalizações por VSR nos primeiros seis meses de vida.
Imunização de Bebês
Bebês, especialmente prematuros e com comorbidades, também podem receber, via SUS, anticorpos monoclonais (anticorpos prontos) contra o vírus sincicial respiratório, que auxiliam na proteção contra formas graves da infecção.
O palivizumabe é administrado por injeção mensalmente, durante o período de maior circulação do vírus, conforme critérios ministeriais. Atualmente, este medicamento está sendo substituído pelo nirsevimabe.
O nirsevimabe foi desenvolvido para oferecer proteção prolongada contra o VSR em bebês, requerendo apenas uma dose para cobrir toda a temporada de maior circulação viral. Sua principal vantagem é a durabilidade da proteção, eliminando a necessidade de múltiplas aplicações.
A pasta informou que “no SUS, o nirsevimabe será oferecido para bebês prematuros e crianças com algumas condições de saúde específicas, que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença causada pelo VSR, nascidos a partir de fevereiro de 2026”.