O governo de Rondônia lançou, nesta segunda-feira (13), o projeto ‘‘Inclusão e Empoderamento de Mulheres Empreendedoras e de Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia”, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU). O evento, realizado no Palácio Rio Madeira, em Porto Velho, oficializa a conquista de um investimento de quase R$ 10 milhões para a bioeconomia do estado, resultado de uma disputa que envolveu a Amazônia Legal.
A obtenção do recurso, proveniente do Fundo Brasil-ONU e com doação do Canadá, não foi aleatória. Rondônia se destacou em um processo de seleção rigoroso, no qual apenas cinco das 21 propostas apresentadas por estados da Amazônia Legal foram aprovadas. O governador Marcos Rocha afirmou que este resultado demonstra o amadurecimento da gestão estadual na atração de investimentos que conciliam a conservação da Amazônia com a melhoria da qualidade de vida da população. Ele ressaltou que o projeto servirá de modelo para toda a Amazônia, unindo preservação ambiental e prosperidade econômica.
Augusto Leonel, secretário de Integração do Estado de Rondônia em Brasília (Sibra), destacou que o projeto é fruto de um esforço conjunto, evidenciando a proatividade do governo em buscar recursos internacionais para o desenvolvimento social e sustentável do estado.
Protagonismo
A coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, elogiou a visão estratégica do governo rondoniense, que foi crucial para garantir o aporte financeiro. Segundo ela, a bioeconomia em Rondônia transcende o conceito e se torna uma realidade transformadora, valorizando o conhecimento local, promovendo práticas produtivas regenerativas e o desenvolvimento sustentável com igualdade de gênero.
Vanessa Duarte, secretária-executiva do Consórcio Amazônia Legal, reforçou o mérito da equipe estadual, detalhando o rigor da seleção: das 21 propostas iniciais, apenas nove atendiam aos requisitos do fundo, e dessas, somente cinco foram aprovadas, incluindo a de Rondônia. Ela enfatizou a capacidade do estado em apresentar soluções concretas para atrair recursos internacionais.
Como Funcionará?
As ações do projeto, a serem executadas no biênio 2026-2027, focarão em duas cadeias produtivas estratégicas: café e cacau. Na fase inicial, 600 pessoas serão beneficiadas, sendo 450 mulheres e 150 homens:
- Mulheres empreendedoras em municípios como Alta Floresta d’Oeste, Cacoal e Novo Horizonte d’Oeste, no cultivo de café;
- Agricultores familiares de Jaru, Ariquemes e Ouro Preto do Oeste serão contemplados na cadeia do cacau.
A iniciativa visa inovar e aprimorar a produção por meio de orientações, capacitações, criação e fortalecimento de cooperativas e bioindústrias locais, além de conexão com o mercado internacional. O sucesso do projeto poderá atrair mais recursos e beneficiar um número maior de pessoas.
Segurança Alimentar e Protagonismo Feminino
O projeto será liderado pelo governo de Rondônia, com o apoio de agências da ONU, como a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a ONU Mulheres.
Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, salientou o impacto técnico e econômico para os agricultores familiares, visando capacitá-los a expandir a produção de café e cacau para o mercado externo com selo de sustentabilidade.
Gillianne Palayret, representante da ONU Mulheres, destacou o impacto social, afirmando que o projeto contribuirá para que as mulheres, muitas vezes protagonistas silenciosas na economia rural, acessem mais crédito, capacitação e espaço, valorizando sua participação como motor de transformação.
Luana Rocha, titular da Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), conectou o progresso econômico à dignidade humana, reforçando o apoio às mulheres da agricultura familiar e a integração com programas como o Mulher Protegida, que oferece auxílio financeiro para combater a dependência econômica.
Participantes
Além do governo de Rondônia e da ONU, o projeto contará com o apoio de diversas instituições, incluindo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Rondônia, a Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater/RO), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, e do Desenvolvimento Agrário, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), e investidores privados.
Cadeias Produtivas em Destaque no Projeto
Café
- Rondônia é o quinto maior produtor de café do Brasil e o segundo maior na produção de robusta.
- O café de Rondônia é do tipo canéfora e é conhecido como Robusta Amazônico.
- A cafeicultura de Rondônia é fonte de renda para cerca de 17 mil agricultores, incluindo produtores indígenas.
Cacau
- Rondônia ocupa a segunda posição na produção de cacau na Região Norte e a quarta no ranking nacional.
- Mais de 3 mil produtores de cacau estão no estado.
- Rondônia produz mais de oito mil toneladas de amêndoas secas por ano, segundo o IBGE.
- Em 2019, o governo estadual sancionou a lei 4.526, que estabelece 13 de abril como a data oficial para o início da colheita do cacau em Rondônia.